Consideração da retração
A retração é definida como uma alteração do volume dependente do tempo sem influência de cargas externas ou da temperatura. Não será abordada aqui com mais detalhe a subdivisão adicional do problema da retração em fenómenos individuais (retração por secagem, retração autógena, retração plástica e retração por carbonatação).
Os principais fatores de influência da retração são a humidade relativa do ar, a espessura efetiva do elemento, o tipo de agregado, a resistência do betão, a relação água/cimento, a temperatura e o tipo e a duração da cura. A grandeza que descreve a retração é a deformação total de retração εcs no instante considerado t.
De acordo com a EN 1992-1-1, secção 3.1.4, ([2] Eq. (3.8)) a deformação total de retração εcs é composta pelos componentes retração por secagem εcd e retração autógena εca, conforme resumido na equação seguinte.
Retração por secagem
A parcela da retração por secagem εcd é determinada, de acordo com [2] Eq. (3.9), como segue.
com
-
t
Idade do betão no momento relevante em dias
ts
Idade do betão ao início da retração em dias
h0
Espessura efetiva do componente estrutural [mm] (para superfícies: h0 = h)
kh
Coeficiente de acordo com [1], Tabela 3.3, dependendo da espessura efetiva da secção h0
εcd,0
Valor de base de acordo com [1] Tabela 3.2 ou Anexo B, eq. (B.11)
-
Ac
Área de secção
u
Perímetro da secção
-
αds1, αds2
factores para consideração do tipo de cimento
fcm
Valor médio da resistência à compressão cilíndrica do betão em [N/mm²]
fcmo
= 10 N/mm²
| Cimento |
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|---|---|---|---|---|
| 32,5 N |
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| 32,5 R; 42,5 R |
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| 42,5 R; 52,5 N/R |
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Deformação de retração autógena
A deformação de retração autógena εca é determinada, de acordo com [2] Eq. (3.11), como segue.
com
Consideração da retração no dimensionamento do betão (com consideração da armadura)
Os dados relativos à deformação de retração são introduzidos no diálogo do material, na secção Time-dependent concrete properties. Aí devem ser indicadas a idade do betão no instante considerado e no início da retração, a humidade relativa do ar e o tipo de cimento. Com base nestes dados, o programa determina então a deformação de retração εcs.
A deformação de retração εcs(t,ts) também pode ser definida manualmente, independentemente da norma.
A deformação de retração é aplicada apenas às camadas de betão; as camadas de armadura não são consideradas. Assim, existe uma diferença em relação à ação térmica clássica, que também atua sobre as camadas de armadura. O modelo utilizado no programa para a retração considera, assim, a restrição da deformação de retração εsh, exercida pela armadura ou pela curvatura da secção em caso de armadura assimétrica. As cargas resultantes da deformação de retração são automaticamente aplicadas e calculadas como cargas virtuais sobre as superfícies. Dependendo do sistema estrutural, a deformação de retração conduz a tensões adicionais (sistema estaticamente indeterminado) ou a deformações adicionais (sistema isostático). O programa considera, por conseguinte, a influência das condições de contorno estáticas de forma diferente para a introdução da retração.
A retração depende da distribuição correta da rigidez na secção. Por isso, para a zona tracionada do betão, recomenda-se a consideração da Tension Stiffening. O modelo 1D apresentado na figura seguinte ilustra como a retração é considerada no programa.
Simplificadamente, são consideradas quatro camadas:
- As camadas laranja-escuro representam o betão com menor dano,
- as camadas laranja-claro representam o betão com maior dano.
- A camada azul corresponde à armadura.
- Cada camada de betão é identificada pelo módulo de elasticidade efetivo Ec,i, e cada área de secção por Ac,i.
- A armadura é caracterizada pelo módulo de elasticidade efetivo Es e pela área de secção As.
- Cada camada é descrita pela coordenada zi.